HOMEM DE CÔR



Sou balanta, sou kimbundo

Sou badio, marronga ou angular

Continental ou insular

Há quem me chame homem de côr


Tenho nome e apelido

Sou do norte, sou do sul

E como tu, gerado no centro

Bendito esse teu ventre mamãe


Sou exótico p'ra a folia

Sou selvagem quando incomodo

Sou dos teus quando convém

Sou o tal homem de côr


Dizem que sou do terceiro mundo

E, segundo bocas infames

Neste universo sem primeiro

Nem civilizado sou


Sou maconde, sou forro

Sampadjudo, mandjáku, kinkôngo

Operário e intelecto

Mas só me chamam homem de côr


Sou de lá já sou de cá

Vou, não sei p'ra onde

Com o vento que já sopra

Ora p'ra lá, ora p'ra cá


Sou filho disto

Sou filho daquilo…

Sou filho do vento

Sou filho deste mundo.